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Uma beleza de artigo

Vale a pena ler neste sábado, esta delícia de crônica que o advogado Rodrigo Pellegrino de Azevedo publicou na página de opinião do Diario de Pernambuco

           “ As expressões idiomáticasde nos[1]sa língua não vão exaurir objetivo escrever aqui. A elas outras tan[1]tas irão compor o mosaico de minha pretensão. Não dá para seguir em frente se a maioria dos nossos vive como “barata tonta” a sempre “ba[1]ter na mesma tecla” em suas mani[1]festações. Sei que tocar nesses temas significa “arrumar sarna para se co[1]çar”, mas não dá para aguentar “cara de pau” em se “arvorar de santo” querendo sempre fazer-nos “comprar gato por lebre”. Não devemos “amarrar o burro” onde mandaram: definitivamente não. Outro dia, almoçando sozinho, ato quedurantea semana tenhopraticado por absoluta falta de tempo, ouvi ao meu lado, três jovens a “lavar roupa suja”.

De início resolvi “não dar bola”, mas o conteúdo da conversa deixou- -me intrigado, pois todos estavam a “dar com a língua nos dentes” sobre um assunto que notoriamente não ti[1]nhamvivência, sequer literária ouhis[1]tórica. Acho até que “dormi no ponto” ao não me intrometer de imediato, pois ponderei melhor não “enfiar o pé na jaca” e resolvi “engolir sapo”. Sozinho estava, sozinho continuei, e para não “entrar numa fria” ou “enxugar gelo”, pois me sentia com a “bola murcha”, resignei-me ao “feijão com arroz” de meu pensamento, pois sempre fui de “andar na linha”, já que, quase sempre, “andar nas nuvens” é bem melhor que “ao deus dará”.

          Qual não foi a outra surpresa ao ouvir “ao pé da letra”, que todos ali concordavam que o Brasil nunca esteve num momento tão Bola para frente para uma “virada de mesa”, uma revolução e que essa seria benéfica para o povo brasileiro. Para não “perder as estribeiras” ou “pirar na batatinha”, concentrei-me mais ainda na refeição. Feijão vai, feijão vem, no intuitode não “meter os pés pelas mãos”, resolvi “pôr as cartas na mesa” aodizer-lhes que é sempre bom “pôr as barbasd e molho” e não viver “aos trancos e barrancos”, pois “viajar na maionese” dá indigestão.

           Cheguei a imaginar que eles esta[1]riam a “tirar onda”, e que iriam “tirar de letra”, mas qual não foi a minha surpresa ao ouvir de volta que eu estava a “trocar as bolas” pois o Brasil vivia uma ditadura inacabada e que só o derramamento de sangue poderia nos trazer a liberdade. Pensei cá comigo se eles não estariam a “trocar alhos com bugalhos”, mas como não pretendia fazer “tempestade em copo d’água”, e já estava a “subir pelas paredes” para “tirar água do joelho”, resolvi “tirar o cavalinho da chuva” não sem antes “voltar à vaca fria” para dizer-lhes não perder a juventude, “procuran[1]do chifre em cabeça de cavalo”, pois fazer isso, no emaranhado da exis[1]tência seria viver a tentar “encontrar agulha em palheiro”. Os jovens riram, como se “pensando na morte da bezerra” e para não dizer que colocariam o “rabo entre as pernas”, olharam para mim,triunfalmente, como se prestes a um fuzilamento fatal e disseram: nós é quem “pagamos o pato” e quando falamos isso é para “pôr o dedo na ferida”.

          Olhei-os “fazendo vista grossa”, mas retrucando educadamente para lhes dizer que “estar com a pedra no sapato” não conduz ninguém a “acertar na lata” o que é certo ou errado, mas trata-se, antes de tudo, de um desejo enrustido em “abrir o coração” e que temos que “agarrar com unhas e dentes” a própria vida, para não “abandonar o barco”, antes de chegar a hora de “abotoar o paletó”, pois “armar- -se até os dentes” como se tudo fosse uma batalha, significa viver, para sempre, a “arrancar os cabelos”. Já na rua, o sol brilhava calidamente, uma brisa suave rangia os galhos secos, e, para que vocês não pensem nessahistória como um“banho de gato”, resolvi nas expressões dizer o dito e o não dito, já que aparentemente estamos fadados a “trocar seis por meia dúzia” sempre e “botar a boca no trombone” ficou impossível. As[1]sim, prefiro muito mais o sorriso da criança, por mim recebido naquele mesmo dia, logo após o ocorrido, rindo da existência ebrincando comuma formiga, numa folha seca, já sem vida, como todos nós, em breve. “

Author: João Alberto

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