O militante e reservado Roberto Numeriano
Caminhar despreocupado em áreas rurais e à beira-mar é um contraste nítido com a correria dos meses que antecedem as eleições municipais. Talvez por isso mesmo seja este o passatempo predileto do candidato à Prefeitura do Recife pelo PCB-PSOL, Roberto Numeriano. Afinal, cada tempinho livre deve ser aproveitado para fazer aquilo que se gosta, mas quase não se tem brecha. Longe dos comícios, caminhadas e palanques, Numeriano é reservado e prefere atividades mais intimistas e tranquilas. Até na escolha das trilhas que percorre nas horas vagas, quando opta por praias mais afastadas da metrópole.
Sendo exposto aos holofotes com frequência crescente, conforme o calendário corre às vistas de seus eleitores, Numeriano prefere manter a família afastada da mídia. Segundo ele, apenas os envolvidos diretamente com atividades ligadas à política devem ter sua intimidade divulgada. Portanto, garante uma distância de segurança entre seu lar e seus palanques. Prefere não exibir fotos de seus parentes próximos e pouco comenta sobre a intimidade em sua casa. “A família deve ser mantida longe do ambiente político”, afirma.
O prefeiturável anda na mesma correria que seus demais concorrentes, mas costuma chamar essa sequência de compromissos de militância. Fora dela, Numeriano aproveita os dias de folga ou férias para conhecer o interior de Pernambuco, onde desbrava sempre um pouco mais da cultura e costumes do estado. Mantendo o estilo pacato, ele raramente sai de casa para festas, shows ou baladas. Prefere curtir um cinema ou um jantar, na linha dos programinhas mais sossegados. Às vezes, viaja a Lisboa, aparado na cidadania portuguesa garantida pela descendência de seu avô, Mário Frederico de Aragão Magalhães. Na foto abaixo, um registro diante da oliveira onde depositaram as cinzas do escritor José Saramago, em Portugal, um dos preferidos de Numeriano:

Numeriano na oliveira em frente à Casa dos Bicos, em Lisboa, onde hoje funciona a Fundação José Saramago
Acompanhando seus gostos mais regionais, Roberto Numeriano é daqueles que aumentam o volume para nossa MPB. “Aprecio forró, frevo, samba de raiz e samba de coco”, comenta o prefeiturável. Nada de hardrock ou estrangeirismos… Nos fones de ouvido e caixas de som de seu dia a dia, o que vem da terra é que é bem-vindo. E para completar as preferências, não esconde de ninguém a sua torcida pelo Náutico no cenário do futebol pernambucano.
Talvez pela extensa bagagem de volumes em sua estante, o prefeiturável admite que não possui um livro de cabeceira. A verdade é que Numeriano anda em fase de malabarismos literários, com as atenções divididas na leitura simultânea de três obras: Levantado do Chão, de Saramago; Graciliano Ramos – um escritor personagem, de Maria Izabel Brunaci; e Jesus e as testemunhas oculares, de Richard Bauckham.
Leia mais notícias desta série clicando aqui





