Tecido acrobático: modalidade circense que conquistou o mundo fitness

Já se imaginou fazendo piruetas pendurado em um tecido a quatro metros de altura? Pode parecer excêntrico, mas essa é a realidade de muitas pessoas que querem estar em dia com a saúde sem a monotonia das academias. Trata-se do tecido acrobático, uma modalidade circense de acrobacia aérea que está ganhando cada vez mais adeptos.

Crédito: Rafael Martins/Esp. DP/D. A. Press

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Originário da China, onde, há mais de 5 mil anos, acrobatas usavam cortes de seda para impressionar imperadores com suas apresentações, o tecido ganhou destaque embaixo das lonas somente muito tempo depois. “Mais precisamente no contexto ocidental, o tecido vem das décadas de 20, 30 e 40. Nos cabarés, existiam as cortinas laterais, assim como no teatro. Então bailarinas e dançarinas faziam performances nelas”, conta Gilberto Trindade, professor de acrobacias do Circo da Trindade, nas Graças.

Gilberto Trindade, professor do Circo da Trindade. Crédito: Rafael Martins/Esp. DP/D. A. Press

Gilberto Trindade, professor do Circo da Trindade.
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Não há contraindicações para quem quer aprender a modalidade: crianças, adultos e até mesmo idosos são bem-vindos. “A única coisa que vai influenciar é o seu estado de saúde. Você tem que conhecer seu corpo e saber sobre as suas limitações”, esclarece Gilberto que pede aos alunos que, antes de começar as aulas, consultem um médico para fazer um check-up e descobrir possíveis problemas. “Tenho alunos com bursite ou escoliose, por exemplo. Então, quando estamos fazendo os movimentos, eles fazem dentro dos seus limites. Ficamos atentos para que o exercício ajude a fortalecer a musculatura da área, mas que não exceda os limites da pessoa”, pondera.

Crédito: Rafael Martins/Esp. DP/D. A. Press

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Entre os benefícios da modalidade estão um corpo mais alongado e resistente, além de controle do equilíbrio e força física. “Acima de tudo, o circo é uma arte. Então, além dos vários benefícios fitness, você vai desenvolver também sua expressão artística. Faz parte do universo circense e, mesmo que você se expresse somente para os seus colegas durante as aulas, isso é necessário para um exercício completo”, explica o professor.

As primeiras figuras executadas pela estudante Nara Esteves, que começou as aulas há um mês. Crédito: Acervo Pessoal

As primeiras figuras executadas pela estudante Nara Esteves, que começou as aulas há um mês.
Crédito: Acervo Pessoal

As vantagens ainda vão além. A estudante Nara Esteves, que começou as aulas há apenas um mês, encontrou benefícios psicológicos no exercício. “O tecido é uma atividade que exige muito do corpo e da mente. Sinto que estou mais focada e prestando mais atenção nas coisas que faço no meu cotidiano”, conta.

Crédito: Rafael Martins/Esp. DP/D. A. Press

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As aulas começam com um alongamento e um aquecimento do corpo. “Privilegiamos as partes aeróbica e anaeróbica para, depois, começarmos a fazer o educativo. É quando começamos a nos educar, ainda no chão, para usar o aparelho”, conta o professor. Nesta segunda parte da aula, os alunos trabalham os movimentos que vão executar no ar, como abdominais, rotações e extensões. “Somente na terceira parte da aula é que subimos no tecido para executar as figuras, que é como chamamos os movimentos. Cada um faz figuras de acordo com o seu nível: básico, intermediário ou de montagem, que já é quando você tem uma rotina pronta”, destrincha Gilberto dizendo que, em uma aula, se gasta entre 500 e 600 calorias.

Crédito: Rafael Martins/Esp. DP/D. A. Press

A psicóloga Domitila Andrade pratica tecido há quase dois anos.
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Para a psicóloga Domitila Andrade, as acrobacias são mais do que um exercício físico. Considerada veterana entre os alunos, ela já pratica a modalidade há quase dois anos e diz que se apaixonou pelo circo. “Comecei a fazer as aulas para cuidar do meu corpo, mas, hoje em dia, as aulas são o espaço que uso para relaxar e ter um tempo para mim. É muito bom se ver evoluindo e se sentir desafiada a sempre fazer e buscar novas figuras. Nunca fica chato!”, diz animada.

Author: Beatriz Pires

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