Novas formas de pensar a alimentação

Por Diario de Pernambuco

Moqueca de banana é aposta do menu fit do Coco Bambu Recife - Crédito: Rafael Martins/ Esp. DP- Fotografia produzida pelo ESTUDIO DP para fins de conteudo patrocinado publicado nos veiculos do Diario de Pernambuco. Autorizacao concedida para uso exclusivo na reportagem: Pratos que compoem o cardapio do restaurante Coco Bambu, shopping Recife.

Moqueca de banana é aposta do menu fit do Coco Bambu Recife – Crédito: Rafael Martins/ Esp. DP

No lugar da cerveja, o vinho e em vez de pão, tapioca. Dessa forma, sem dietas malucas ou receitas mágicas, a administradora Rayana Farias, 26 anos, perdeu 15 kg. A diminuição nas medidas começou após uma ida à nutricionista. “Ela me desafiou a passar 30 dias sem glúten”, lembra, acrescentando que hoje só abre exceção nos finais de semana. No começo, retirar o pão e as massas da dieta não foi fácil, mas logo o resultado apareceu. “Em um ano, a principal mudança foi no meu peso, mas minhas taxas de colesterol, glicose e triglicerídeos também caíram”, diz.

Glúten, presente na maior parte dos cereais, e a lactose, dos derivados do leite, são apostas recorrentes para uma reeducação alimentar de quem quer diminuir o manequim, mas a necessidade vai além da dieta. Segundo a Federação Brasileira de Gastroenterologia, cerca de 2 milhões de brasileiros sofrem de doença celíaca (intensa intolerência ao glúten) e quase 40% da população desenvolve algum tipo de intolerância à lactose durante a vida adulta, uma dificuldade cada vez mais comum. “Não é em todo o lugar que você encontra o cardápio dizendo se pessoas alérgicas podem comer aquela comida. Geralmente tenho que perguntar ao garçom”, lamenta o estudante Raphael Ribeiro, 27, não apenas intolerante ao glúten, mas à lactose, condição só diagnosticada apenas há um ano.

Pensando nisso, cada vez mais restaurantes têm investido em menus leves, vegetarianos ou veganos, com redução ou abolição de ambas as substâncias – uma questão de adequação ao mercado para atender à demanda cada vez maior.

Um exemplo desse direcionamento no mercado local é o restaurante Coco Bambu Recife, que inaugurou recentemente uma linha fit, com pratos sem lactose e com baixo teor de glúten, mirando no público em geral, não apenas nos vegetarianos. “A ideia surgiu da solicitação dos clientes. Prezamos para que eles tenham sabor, texturas e sejam verdadeiras opções para o público”, explica Eduardo Medeiros, sócio-proprietário do restaurante.

“Muitas pessoas que retiram glúten da alimentação emagrecem e dizem se sentir mais leves. Isso acontece porque quando você retira essa proteína da dieta, deixa de comer muitos alimentos calóricos, como massas e bolos”, explica a tutora de nutrição da Faculdade Pernambucana de Saúde Fabrícia Padilha. É necessário, porém, prestar atenção. A menos que o paciente tenha alergia ou intolerância, não se indica a restrição total da proteína para evitar a pouca variação alimentar ou a não garantia de todos os nutrientes necessários. “Retirar o glúten de uma refeição ou outra não faz mal, mas a longo prazo existem estudos que mostram que esse tipo de alimentação, para quem não tem doença celíaca, pode causar danos cardiovasculares”, explica Ney Cavalcanti, médico e membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia.

3 verdades e mentiras

Você pode se tornar intolerante à lactose com o tempo?
Verdade. A produção da lactase, enzima que quebra a lactose, açúcar do leite, diminui ao longo dos anos. Apesar disso, geralmente é um problema hereditário.

Tirar o glúten da dieta pode te fazer celíaco?
Mentira. Nenhum estudo comprova. O que pode acontecer é alguém passar um tempo sem contato com glúten e lactose, retomar o consumo e sentir desconforto.

A doença celíaca é mais comum em descendentes de europeus
Verdade. O motivo é um mistério, mas estudos já comprovaram.

Autor:: Thayse Boldrini

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