Novos pratos do Coco Bambu Recife homenageiam praias pernambucanas e são repletos de camarões

Crédito: Rafael Martins/ Esp. DP

Camarão, o querido dos pernambucanos – Crédito: Rafael Martins/ Esp. DP

Na praia, no buffet, dentro do caldinho, no almoço do fim de semana… O camarão é versátil como a gastronomia pernambucana. Quem consome o crustáceo, porém, pode não ter noção de que os atrativos vão além do sabor. Cinza, vermelho ou alaranjado, o pequeno traz benefícios para a saúde e até para a economia. Do Nordeste, ele abastece países como Espanha, França e Vietnã, tendo que passar por processos sanitários meticulosos até chegar à cozinha, onde torna-se um coringa.
“Ele entra em preparações quentes ou frias e é utilizado em saladas, com molhos diversos”, explica Wagner Francis, chef consultor e instrutor da Faculdade Senac. Apesar de ser possível “petiscar” o crustáceo empanado, no alho e óleo ou em outras misturas nos bares da cidade, o protagonismo dele na culinária pernambucana vem em pratos mais complexos. Na caldeirada de Itapissuma, por exemplo, receita do Litoral Norte de Pernambuco com “tudo do mar”, e na tradicional mistura com o jerimum. “O camarão na moranga com molho de frutas como manga e pitanga, criação do chef César Santos, é dos mais populares em pernambuco”, pontua.

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Boa parte da produção nacional de camarões vem de criadouros, que, em Pernambuco, ocupam áreas de todo o Litoral. “Nosso carro-chefe é o Litopemaeus vannamey, espécie marinha que também pode ser reproduzida em água doce”, conta Suzianny Cabral, professora do departamento de pesca e aquicultura da Universidade Federal Rural de Pernambuco. Segundo a Associação Nacional de Criadores de Camarão, há cerca de 30 fazendas de animais legalizadas no estado, onde os bichos chegam em fase “pós-larva”, logo após a desova. Em pouco mais de quatro meses, são engordados com nutrientes até atingir o peso de mercado. “Geralmente esse peso é de 12 gramas. Mantemos de oito a 12 camarões por metro quadrado dentro das fazendas”, detalha Maurício Lacerda, representante local da associação.
Inúmeras pesquisas estudam os efeitos do camarão na saúde. Uma das principais é de dois médicos do Instituto de Ortopedia e Traumatologia de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, que detectou os benefícios da glucosamina no tratamento de doenças como artrite e artrose. Eles sugerem, porém, que o alimento não seja frito, mas cozido no vapor, para a manutenção das propriedades nutritivas.
A relação afetiva dos pernambucanos com camarão é tão grande que conquista até mesmo quem não é do Estado. A franquia cearense Coco Bambu, inaugurada em agosto de 2016 no Shopping Recife, nem completou aniversário, mas já lançou quatro pratos especialmente para retribuir o carinho do público pela iguaria, batizados de Praia de Itamaracá, Tamandaré, Boa Viagem e Olinda. “Foi uma homenagem que a gente fez a um estado que nos acolheu tão bem. O camarão remete muito ao mar do Nordeste. Nos últimos anos a gente conseguiu trazê-lo ainda mais barato à mesa”, conta Eduardo Medeiros, sócio-proprietário do Coco Bambu Recife.

Crédito: Rafael Martins/ Esp. DP

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O preço, de fato, tem sido um desafio para donos de restaurantes em todo o país. A doença da mancha branca, vírus sem riscos para o homem, mas letal para os animais, chegou ao Brasil em 2005 e, desde então, diminuiu drasticamente a produção. Ela causa lentidão e falta de apetite nos animais, chegando a dizimar populações inteiras de um viveiro em três dias. Pernambuco, que exportava 4 mil toneladas da iguaria, mal atende ao mercado local, desde 2010, segundo a Associação Nacional de Criadores de Camarão. Apenas Ceará e Rio Grande do Norte ainda abastecem países como França, Espanha e Vietnã, mas com apenas 514 toneladas do alimento em 2016.

Serviço
Coco Bambu
Onde: Shopping Recife – R. Padre Carapuceiro, 777 – Boa Viagem, Recife – PE
Informações: (81) 3038-7080

*Conteúdo produzido – Estúdio DP

Author: Thayse Boldrini

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