“As modelos da minha geração e de antes de mim, elas dominavam, vendiam e ditavam moda”, diz Fernanda Motta sobre as Instamodels

Fernanda Motta está completando 21 anos de carreira – Crédito: Reprodução/Instagram

No final da década de 1990 e início dos anos 2000, o mundo da moda ganhava destaque com supermodelos brasileiras, que incluía Gisele Bündchen, Adriana Lima, Alessandra Ambrósio e Isabeli Fontana. Outro grande nome dessa geração é Fernanda Motta, que já está prestes a completar 21 anos de carreira.

A modelo participou de campanhas de marcas como Victoria’s Secrets, Moet & Chandon, Rolex e Água de Coco, desfilou nas passarelas de grifes como Chanel e Gucci e teve sua foto estampada em diversas revistas por todo o mundo. Além da carreira de modelo, Fernanda ainda enveredou pelo mundo do entretenimento, apresentando o Brazil’s Next Top Model e uma participação na novela Totalmente demais.

Fernanda no Baile da Vogue deste ano – Crédito: David Mazzo, Flavio Tepperman e Thiago Bruno

Para completar, Fernanda investiu em um novo projeto: o Fernanda Motta Trend Tour. A carioca está rodando o país falando sobre moda, tendências, beleza e contando suas histórias e experiências no mundo fashion. Nesta quinta-feira, ela estará no Recife, mais especificamente no Passarela RioMar. Para a ocasião, Fernanda convidou o maquiador Max Weber e JR Mendes, cabeleireiro e maquiador. Conversamos um pouco com a modelo ao telefone sobre sua carreira, sua visão sobre a moda atual e pedimos que ela listasse algumas dicas de beleza. Confira:

Como surgiu o projeto Fernanda Motta Trend Tour?
Eu tenho 20 anos de carreira, sou cheia de histórias para contar. Eu sempre faço aqui (em São Paulo), uma série de bate-papo, palestras e costumo trabalhar diretamente com o público. Um dia eu tive a ideia de contar minhas histórias de uma maneira diferente. Em palestras, geralmente, você costuma ensinar alguma coisa para as pessoas. Eu não estou ensinando nada. Na verdade, é um bate-papo sobre qualquer assunto. Minha ideia era correr o país falando sobre as coisas que eu entendo e sobre o que eu já vivi. Chamo meus convidados e eu vou entrevistar essas pessoas com a ajuda do público. Para isso, tenho um roteirista que monta tudo e depois nós entrevistamos as pessoas, tanto sobre a parte profissional, quanto pessoal. O evento acaba se tornando um talk show em um teatro, por exemplo. 

Agora que você tem esse contato mais próximo com o público, como enxerga a relação dos brasileiros com a moda?
Eu acho que o brasileiro tem uma característica muito importante: a personalidade. Moda tem muito a ver com personalidade. Nós temos mulheres mais clássicas, ousadas… De todos os tipos. A moda é muito democrática no Brasil. Eu sempre dou essa dica: a moda é basicamente usar o que é confortável, o que cabe no seu corpo e o que combina com sua personalidade. E eu também gosto bastante da moda brasileira.

Quais os estilistas ou as marcas que você mais gosta de usar?
Nossa! Eu gosto de muita coisa, uso de tudo um pouco. Eu não tenho um estilo muito ‘decifrável’. Eu uso muito o que cabe no meu dia a dia, mas nunca consigo dizer quem é uma pessoa que eu gosto… Mas vamos lá, gosto muito de Valentino, de [Anthony] Vaccarello, Versace… E também dos novos estilistas que surgiram, alguns que eu nem sei o nome! Gosto de tudo.

Crédito: Reprodução/Instagram

Tem algum trabalho ou momento nesses 20 anos que você pode destacar?
Acho que dois momentos: um deles foi quando eu fui Garota Moet & Chandon. Eles fizeram um evento, em Nova York, na Estátua da Liberdade, chamado ‘Fernanda Motta convida’. Eu lembro quando eu entrei na festa, toda vestida de prata, em um tapete vermelho enorme com o meu nome e a Estátua da Liberdade ao fundo… Eu acho que esse é o momento que eu pensei I made it [eu consegui]! Em outro momento, eu estava na Times Square e tinha um outdoor gigantesco, no prédio mais alto, com uma foto minha. Foi outro momento que também pensei que tinha conseguido. Mas cada trabalho é um trabalho, todos eles complementam sua carreira. 

Muitos falam que a profissão de modelo é muito efêmera. Qual o seu diferencial para tantos anos de carreira?
Eu sempre fui muito determinada e profissional. A minha geração, da Gisele, da Alessandra Ambrosio, Adriana Lima… é muito focada. A gente entendeu como trabalhar como modelo, que era um trabalho como qualquer outro. Eu sempre vi isso como um business. E eu também apostei em ‘fazer o meu nome’ e isso ajudou a me manter no mercado. Essa é a segunda fase do sucesso profissional:  quando você vai trabalhando e as pessoas sabem quem você é. Hoje, eu tenho isso, não é ‘só uma topmodel’. Eu também já fiz novela, sou multiuso! Já tive muitos produtos com meu nome, agenciamentos, restaurante… E não só nessa parte financeira, mas quando você se associa a profissionais que podem gerenciar sua carreira, você consegue se manter por muitos anos. É como a Luiza Brunet, até hoje você vê ela trabalhando. Espero ir na mesma direção.

Desde o início da carreira até os dias atuais, quais as principais mudanças que você enxergou no mundo da moda e das passarelas?
Surgiram muito mais pessoas. Antigamente, a moda era muito fechada, era uma coisa que você esperava acontecer. Hoje em dia, com a internet, é tudo muito rápido, instantâneo. Antes, os estilistas eram todos os mesmos, não existiam novos nomes o tempo todo. A moda hoje é muito mais ampla e democrática. Não é tão fechada quanto era. Eu acho que modernizou muito, antes era muito mais glamour, hoje é mais básica, mais usável. Antes era mais conceitual.  Tudo multiplicou, é mais rápido, prático. Até grandes nomes, que você nunca pensou que poderia ser acessível, hoje em dia fazem colaborações com marcas de fast fashion. Também mudou a divulgação, hoje têm blogueiras e muitos artistas que divulgam a moda. Isso antes era só feito pelas modelos.

Crédito: Divulgação da modelo

Hoje, muito se fala das Instamodels, as modelos que já são famosas antes mesmo de pisar em uma passarela. Como você enxerga esse fenômeno?
Eu acho que é exatamente isso que você falou: são outros tipos de modelos. As modelos da minha geração e de antes de mim, elas dominavam, vendiam e ditavam moda. Eu acredito que a minha foi realmente a última geração de modelos assim. Antes, a gente fazia polaroids. Hoje em dia, com as redes sociais, você se torna mais instantânea, mudou tudo. E principalmente as modelos: as pessoas começaram a buscar pessoas que têm seguidores, que são influenciadores. E essas meninas [as Instamodels] também são filhas de gente famosa, elas estão no meio de famosos. Eu acho que isso veio com a nova geração  e você tem que acompanhar o que essa geração está seguindo. Para eles, é importante saber o que a modelo faz da vida pessoal – antes não tinha isso. 

Quais as principais dificuldades e as coisas mais legais na vida de uma modelo?
As coisas mais legais é a questão da vivência. Você poder aprender outras línguas, conhecer o mundo inteiro, novas culturas, pessoas muito interessantes…. Já a pior parte é também viajar muito, ficar sozinha, não ter a família por perto e cansaço.

Crédito: Reprodução/Instagram

Qual dica você daria para uma menina que quer se tornar modelo?
A menina que quer mesmo tem que buscar pessoas realmente capacitadas para avaliar ela. Tem que ir direto nas agências que são conhecidas, como a Elite, Ford, Mega, empresas que tem know-how. Não busque agências ou pessoas que você não têm referência. Tem que ir atrás de pessoas qualificadas, que podem dizer que você tem chance ou não no mercado. Eles não vão te dizer nada para te agradar, vão falar a verdade  e isso vai poupar um desgaste grande. E, se você conseguir um espaço, uma dica é levar os trabalhos como profissão e não brincadeira. Modelo é uma profissão muito séria. 

Quais as tendências para as próximas temporadas no mundo da moda? Sinceramente? Não tenho ideia! Vou saber agora no São Paulo Fashion Week. Hoje em dia, eu acompanho a moda como os adolescentes: quando ela acontece, vendo as passarelas. Mas eu acho que não deve fugir muito do que já está em voga, não deve ter muita coisa nova. Pra mim, o básico continua reinando.

Crédito: Reprodução/Instagram

Nesses 20 anos trabalhando no mundo da moda, quais as melhores dicas de beleza e moda que você recebeu e pode compartilhar?
Meu cabelo já sofreu muito, de tanta coisa que eu já fiz. Eu gosto muito de fazer hidratação no salão ou então eu mesma vou na farmácia e compro um monte de produtos e faço. Mas, quando ele está muito muito ressecado, a melhor dica é essa: depois de lavar o cabelo normalmente, você dá o último enxágue com água mineral. Se você fizer isso por uma semana, o cabelo fica um brilho só, bem domado. Eu viajava muito, fazia muita coisa na praia. E um dia uma maquiadora falou isso pra mim. E olha, é um milagre.

Fernanda Motta na passarela da Água de Coco – Crédito: Divulgação/Água de Coco

Sobre  moda, eu acho que se você estiver na dúvida do que usar, tem que apostar sempre em uma boa camisa branca de botão, uma camiseta branca, um bom jeans e uma jaqueta de couro preta. Acessórios é a melhor dica do século. Na dúvida, coloca uma roupa básica, um acessório incrível e já está totalmente moderna. O acessório faz a roupa, mas a roupa não faz o acessório. E também, não use o que te impõem, o que está na revista às vezes não é feito para você, para o seu tipo de corpo. Aceite o que é bom pra você, o que fica bonito no seu corpo e use o que você gosta.

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