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Todas as fases de Alanis em um único show

Alanis Morissette - Crédito: Nando Chiappetta/DP/D.A Press.

Quem viu o surgimento de Alanis Morissette no início da década de 1990 se surpreende ao assistir ao show da cantora nos dias atuais. A adolescente revoltada de Jagged Little Pill – considerado o disco de estreia mais bem sucedido da história – se transformou numa mulher adulta. Mãe, esposa e prestes a completar 40 anos, a canadense vem consolidando uma carreira equilibrada. No show do Chevrolet Hall na noite desta quarta, a cantora presenteou os fãs com seus maiores clássicos ao mesmo tempo em que apresentava as canções do novo disco: Havoc and The Bright Lights. O resultado: duas Alanis surgiram no palco. A primeira era a adulta vaidosa, com maquiagem bem produzida, shortinho jeans sobre legging e guitarra dourada em gliter. A segunda, era a adolescente de roupas largadas e tiques nervosos que, entre uma e outra faixa, deixava-se ressuscitar.

Crédito: Nando Chiappetta/DP/D.A Press.

Eram 22h20 quando a voz da cantora invadiu o espaço, provocando gritaria. Ainda no backstage, ela cantou a introdução de I Remain e logo emendou com o novo hit Woman Down enquanto seus músicos traziam a bandeira de Pernambuco. Mas foi com You Learn que ela realmente disse a que veio: o refrão foi cantado em coro pelo público, que não chegou a lotar a casa. Poucos camarotes apareciam preenchidos, já que a maioria queria mesmo era ficar pertinho de Alanis. O frontstage e a pista receberam fãs apaixonados, que gritavam elogios em inglês, na esperança de que sua musa pudesse ouví-los. Ela, por sua vez, arriscou uma única palavra em português: “Obrigada” e decidiu cantar mais do que conversar. Também abriu espaço para tocar guitarra, violão e gaita.

Crédito: Nando Chiappetta/DP/D.A Press.

Sempre sorridente, Alanis parecia cantar com nostalgia as letras agressivas de outras épocas. Os versos de You Oughta Know, por exemplo, em que ela dispersa toda sua raiva contra um ex-namorado, não fazem mais sentido na nova fase da sua vida. Mesmo assim, o que a artista provou bem é que continua sentindo carinho pelas músicas que a levaram ao estrelato – e que caíram no gosto dos fãs. E por inserir esses sucessos na metade do repertório é que ela atrai um público cada vez mais fiel. As duas Alanis continuaram em contraste no palco. Enquanto uma recuperava os trejeitos tão característicos como as balançadas e as batidas de cabeça, a outra apresentava a música Guardian, cuja letra faz referência ao filho Ever em versos como “Serei sua primeira defensora / Sua eterna guardiã”.

Alanis Morissette / Crédito: Nando Chiappetta/DP/D.A Press.

Ironic e Head Over Feet também tiveram seus minutos de glória. A primeira, talvez a mais famosa música da carreira da artista, manteve a brincadeira que o guitarrista e o baixista apresentam durante todos os shows. Eles sempre se abraçam e fingem ser um casal durante os versos “Não é irônico? / Conhecer o homem da sua vida / E em seguida sua linda esposa (que na versão ao vivo vira ‘seu lindo esposo’)”. No entanto, nem só de tradições vive o show de Alanis Morissette. A cantora trouxe diferenças marcantes entre o repertório de ontem e o de janeiro de 2009, também no Chevrolet Hall. A música que costumava abrir suas apresentações naquele ano (Uninvited) passou a ser uma das últimas. Mas esta não foi a única surpresa reservada para o final.

Crédito: Nando Chiappetta/DP/D.A Press.

De forma bastante rara entre bandas no mundo inteiro, uma apresentação contou com dois bis. No primeiro retorno, ela chamou ao palco “um convidado muito especial”. Seu marido, MC Souleye, que é rapper, dividiu com ela a faixa Jeckyll and Hyde. E quando muitos pensavam que o show tinha finalmente chegado ao fim e começavam a deixar o local, eis que ela volta para agradecer. E nenhuma forma poderia ser melhor do que com a canção Thank You.

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Author: admin

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