Famosos se despedem de Ariano

Crédito: Annaclarice Almeida/DP/D.A Press

Crédito: Annaclarice Almeida/DP/D.A Press

Desde a noite desta quarta-feira, que uma avalanche de textos e fotos em homenagem ao escritor e dramaturgo Ariano Suassuna tomaram conta das redes sociais. Neste momento, a presidente Dilma Rousseff está no Palácio do Campo das Princesas, ao lado de amigos e familiares de Ariano, no velório. O sepultamento está marcado para às 16h desta quinta, no Cemitério Morada da Paz, em Paulista. Confira as homenagens:

Grazi Massafera: “‘Tenho duas armas para lutar contra o desespero, a tristeza e até a morte: o riso a cavalo e o galope do sonho. É com isso que enfrento essa dura e fascinante tarefa de viver’ #simplesmente #sabedoria.”

Carol Castro: “O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso” #ArianoSuassuna #RIP #MaisUmGenioQueSeVai #FestaNoCeu”.

Fernanda Souza: “Obrigada por sua arte! Por nos divertir, nos entreter e nos ensinar… Seu talento e sua história estão em nossa memória e coração! Muito obrigada!”

Felipe Solari: “Suassuna me fazia rir muito !!! Acompanhei muitas palestras/papos com ele… Que figura doce e divertida… Perdemos Ubaldo e ele 🙁 “

Samara Felippo: “RIP Ariano Suassuna, vai com Deus, descanse em paz mestre. Sua obra é eterna. Obrigado”

Claudia Raia: “Palmas para o genio Ariano Suassuna! Obrigada pelo seu talento, pela sua obra e sua dignidade! Que Deus ilumine seu caminho”

Bob Wolfeson: “Minha homenagem à eterna elegância de Ariano Suassuna”. O fotógrafo postou um click de 1995 do seu livro “Jardim da Luz”.

Serginho Groisman:”Ariano Suassuna. Paraibano-Recifense-Brasileiro que nos orgulha para sempre. Fica em paz.”

Dilma Rousseff: “O Brasil perdeu hoje uma grande referência cultural. Escritor, dramaturgo e poeta, Ariano Suassuna foi capaz de traduzir a alma, a tradição e as contradições nordestinas em livros como Auto da Compadecida e Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta. A obra de Suassuna é essencial para a compreensão do Brasil. Guardo comigo ótimas recordações de nossos encontros e das suas histórias. Aos familiares, amigos e leitores, meus sentimentos neste momento de perda.”

Carta do ator e diretor Selton Mello
E o Brasil ficou mais pobre.
E triste.
Ariano, poeta entendedor do Brasil profundo.
Defensor de nossa riqueza cultural e emocional.
Sua obra descomunal fica para sempre.
Tive a honraria graúda de dar vida a um de seus passarinhos (era como se referia a seus personagens queridos).
Chicó fui eu, Chicó é Ariano, Chicó é tu.
Chicó e João Grilo têm morada no coração dos brasileiros.
E na minha mente e coração sempre estarão gravadas as palavras sublimes que proferi em “O Auto da Compadecida”:
“Cumpriu sua sentença. Encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados”.
Celebre-se o homem, celebre-se o brasileiro, celebre-se o artesão das palavras.
E se um dia perguntarem se tudo que criou foi exatamente assim como ele idealizou, imaginarei Ariano dizendo com um sorriso de menino nos lábios: ”Não sei, só sei que foi assim.”

Alceu Valença: “Comecei a me interessar por literatura na adolescência. Meus mentores foram meus tios Livio, que me apresentou Fernando Pessoa, e Geraldo, que me falou pela primeira vez de Ariano Suassuna. Quando ingressei na faculdade, passei a frequentar o Teatro Popular do Nordeste, do qual ele foi um dos fundadores ao lado de Leda Alves e Hermilo Borba Filho. Assisti às gargalhadas O santo e a porca, entre outras peças do autor paraibano. Ali descobri que o regional podia ser universal. Do figurino à interpretação dos atores, tudo representava o sertão profundo num contexto abrangente e contemporâneo. Seus tipos, suas histórias, seus cantadores remetiam a Taperoá dele e a minha São Bento do Una, ambas povoadas por aboiadores, cordelistas, violeiros, loucos sonhadores e contadores de histórias. Era o surrealismo ibérico, brasileiro e nordestino in natura.
Posteriormente, Ariano criou o Movimento Armorial, que parte das mesmas premissas – o regional como universal, e que reivindicava o direito de vilas, cidades e aldeias se expressarem sem a obrigatoriedade de ser hollywoodiano ou anglófono. Como ele mesmo gostava de dizer, não troco meu oxente pelo OK de ninguém. Ariano jamais sofreu do complexo de cachorro vira-latas que parte da nossa intelectualidade comunga. Anos depois, homenageei um de seus personagens mais queridos, João Grilo, o anti-herói de O auto da Compadecida, em minha música Que grilo dá: ‘Me chamam cobra cascavel / Sou João Grilo, menino traquino que grilo que dá / Cancão de Fogo, Viramundo, Malasarte / Sou o riso e o desastre do meu Brasil popular’.
Três dias antes de ele ser hospitalizado, pesquisando na internet, o acaso me levou a encontrar o link com um trecho de uma aula-espetáculo ministrada por ele e o compartilhei no Facebook. A repercussão foi incrível. Comentários e mais comentários em saudação reverente ao mestre. Meu filho Rafael, de 13 anos, e seu colega de escola, Alexandre Carneiro, ficaram encantados e, assim como eu, se tornaram seus fãs. Sua obra não tem idade e segue na embolada do tempo: ‘o tempo em si, não tem fim não tem começo, mesmo virado ao avesso não se pode mensurar’. Ariano é eterno em sua irreverência, profundidade, sabedoria e universalidade.”

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Author: Thayse Boldrini

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